Tabela de fórmulas e interpretação
Abrangência: Brasil · Aplicação: análise das demonstrações contábeis
Critério: fórmulas didáticas; mantenha as mesmas definições nos períodos e empresas comparados.
💧 Liquidez e capital de giro
| Indicador | Fórmula | O que o resultado mostra |
|---|---|---|
| Liquidez corrente | AC ÷ PC | Recursos de curto prazo para cada R$ 1,00 de obrigações de curto prazo. |
| Liquidez seca | (AC − estoques) ÷ PC | Cobertura das obrigações de curto prazo sem depender da realização dos estoques. |
| Liquidez imediata | Caixa e equivalentes de caixa ÷ PC | Parcela das obrigações de curto prazo coberta pelos recursos imediatamente disponíveis. |
| Liquidez geral | (AC + RLP) ÷ (PC + PNC) | Cobertura das obrigações totais por recursos circulantes e realizáveis a longo prazo. |
| Capital circulante líquido — CCL | AC − PC | Diferença, em reais, entre recursos e obrigações de curto prazo. |
Os indicadores de liquidez ajudam a avaliar a capacidade de pagamento, mas também exigem análise dos vencimentos e da qualidade dos ativos. Sebrae
🏦 Endividamento e estrutura de capital
| Indicador | Fórmula | O que o resultado mostra |
|---|---|---|
| Endividamento sobre ativos | (PC + PNC) ÷ AT × 100 | Percentual dos ativos financiado por obrigações com terceiros. |
| Participação de capitais de terceiros | (PC + PNC) ÷ PL × 100 | Capital de terceiros para cada R$ 100,00 de capital próprio. |
| Composição do endividamento | PC ÷ (PC + PNC) × 100 | Percentual das obrigações totais que vence no curto prazo. |
| Participação do capital próprio | PL ÷ AT × 100 | Percentual dos ativos financiado pelo patrimônio líquido. |
| Imobilização do patrimônio líquido | (Investimentos + imobilizado + intangível) ÷ PL × 100 | Relação entre ativos de menor liquidez e capital próprio. |
| Imobilização dos recursos não correntes | (Investimentos + imobilizado + intangível) ÷ (PL + PNC) × 100 | Relação desses ativos com as fontes de financiamento de longo prazo. |
| Dívida líquida | Dívida financeira bruta − caixa e equivalentes − aplicações financeiras consideradas | Endividamento financeiro após deduzir os recursos financeiros definidos no cálculo. |
| Dívida líquida/EBITDA | Dívida líquida ÷ EBITDA | Relação entre endividamento financeiro líquido e EBITDA do período, expressa em vezes. |
| Cobertura de juros | EBIT ÷ despesas de juros | Quantas vezes o resultado antes de juros e tributos cobre as despesas de juros. |
Diferencie os conceitos: passivo exigível inclui obrigações como fornecedores e tributos; dívida financeira compreende empréstimos, financiamentos e outros instrumentos definidos no cálculo. A definição de dívida líquida deve explicitar quais aplicações e obrigações foram incluídas. web.bndes.gov.br
📈 Margens e rentabilidade
| Indicador | Fórmula | O que o resultado mostra |
|---|---|---|
| Margem bruta | Lucro bruto ÷ RL × 100 | Percentual da receita líquida restante após os custos das vendas. |
| Margem EBIT | EBIT ÷ RL × 100 | Resultado antes de juros e tributos para cada R$ 100,00 de receita líquida. |
| Margem EBITDA | EBITDA ÷ RL × 100 | EBITDA para cada R$ 100,00 de receita líquida. |
| Margem líquida | LL ÷ RL × 100 | Lucro líquido obtido para cada R$ 100,00 de receita líquida. |
| Retorno sobre os ativos — ROA | LL ÷ AT médio × 100 | Retorno líquido em relação aos ativos médios utilizados. |
| Retorno sobre o patrimônio líquido — ROE | LL ÷ PL médio × 100 | Retorno líquido em relação ao capital próprio médio. |
| Giro do ativo | RL ÷ AT médio | Receita líquida gerada para cada R$ 1,00 aplicado nos ativos médios. |
Convenções desta tabela:
EBIT = lucro líquido + tributos sobre o lucro + despesas financeiras líquidas das receitas financeiras.
EBITDA = EBIT + depreciação + amortização + exaustão.
O EBITDA não corresponde ao fluxo de caixa efetivo: não incorpora, por exemplo, os efeitos das variações do capital de giro e dos investimentos. A composição acima segue a definição utilizada pelo BNDES. web.bndes.gov.br
🔄 Atividade e ciclo financeiro
| Indicador | Fórmula | O que o resultado mostra |
|---|---|---|
| Giro dos estoques | CMV ÷ estoque médio | Quantas vezes o estoque médio foi vendido no período. |
| Prazo médio de estocagem — PME | Estoque médio ÷ CMV × D | Tempo médio de permanência das mercadorias em estoque. |
| Prazo médio de recebimento — PMR | Clientes médios ÷ vendas a prazo × D | Tempo médio entre a venda a prazo e o recebimento. |
| Prazo médio de pagamento — PMP | Fornecedores médios ÷ compras a prazo × D | Tempo médio para pagar as compras a prazo. |
| Ciclo operacional | PME + PMR | Tempo entre a entrada das mercadorias em estoque e o recebimento das vendas. |
| Ciclo financeiro | PME + PMR − PMP | Intervalo entre o pagamento das compras e o recebimento das vendas. |
| Necessidade de capital de giro — NCG | Ativo circulante operacional − passivo circulante operacional | Recursos necessários para financiar o funcionamento da operação. |
Base dos prazos: clientes e vendas devem ter tratamento consistente de tributos; fornecedores e compras devem abranger operações equivalentes. Os componentes operacionais da NCG devem ser definidos e mantidos nas comparações.
📊 Análise da composição e da evolução
| Indicador | Fórmula | O que o resultado mostra |
|---|---|---|
| Análise vertical do ativo | Conta do ativo ÷ AT × 100 | Participação da conta no ativo total. |
| Análise vertical do passivo e PL | Conta ÷ (passivo exigível + PL) × 100 | Participação da conta nas fontes totais de recursos. |
| Análise vertical da DRE | Valor da rubrica ÷ RL × 100 | Peso da receita, custo, despesa ou resultado em relação à receita líquida. |
| Análise horizontal — variação | (Valor atual ÷ valor anterior − 1) × 100 | Crescimento ou redução percentual entre dois períodos. |
| Análise horizontal — índice-base | Valor do período ÷ valor do período-base × 100 | Evolução em relação a um período escolhido como base 100. |
Legenda das fórmulas
| Sigla ou expressão | Significado |
|---|---|
| AC | Ativo circulante |
| PC | Passivo circulante |
| PNC | Passivo não circulante |
| RLP | Realizável a longo prazo — componente do ativo não circulante |
| AT | Ativo total |
| PL | Patrimônio líquido |
| RL | Receita líquida |
| LL | Lucro líquido |
| CMV | Custo das mercadorias vendidas |
| D | Número de dias do período analisado |
| Saldo médio | (Saldo inicial + saldo final) ÷ 2; quando possível, utilizar médias mensais |
| Passivo exigível | PC + PNC, sem incluir o patrimônio líquido |
Exemplo prático
Considere os seguintes dados de uma empresa:
| Informação | Valor |
|---|---|
| Ativo circulante | R$ 200.000 |
| Passivo circulante | R$ 100.000 |
| Estoques | R$ 50.000 |
| Caixa e equivalentes de caixa | R$ 30.000 |
| Receita líquida do período | R$ 500.000 |
| Lucro líquido do período | R$ 40.000 |
| Patrimônio líquido médio | R$ 200.000 |
| Ativo total médio | R$ 400.000 |
| Indicador | Cálculo | Resultado | Interpretação |
|---|---|---|---|
| Liquidez corrente | 200.000 ÷ 100.000 | 2,00 vezes | R$ 2,00 de ativo circulante para cada R$ 1,00 de passivo circulante. |
| Liquidez seca | (200.000 − 50.000) ÷ 100.000 | 1,50 vez | R$ 1,50 de cobertura sem considerar os estoques. |
| Liquidez imediata | 30.000 ÷ 100.000 | 0,30 vez | Recursos imediatos equivalentes a 30% das obrigações de curto prazo. |
| CCL | 200.000 − 100.000 | R$ 100.000 | Excedente contábil do ativo circulante sobre o passivo circulante. |
| Margem líquida | 40.000 ÷ 500.000 × 100 | 8,00% | R$ 8,00 de lucro líquido para cada R$ 100,00 de receita líquida. |
| ROE | 40.000 ÷ 200.000 × 100 | 20,00% | Retorno líquido de 20% sobre o patrimônio líquido médio no período. |
| ROA | 40.000 ÷ 400.000 × 100 | 10,00% | Retorno líquido de 10% sobre o ativo total médio no período. |
| Giro do ativo | 500.000 ÷ 400.000 | 1,25 vez | R$ 1,25 de receita líquida para cada R$ 1,00 de ativo médio. |
Cuidados na interpretação
| Ponto de atenção | Critério recomendado |
|---|---|
| Não existe valor ideal universal | Compare com empresas do mesmo setor, histórico e características operacionais. |
| Liquidez não garante pagamento | Examine vencimentos, inadimplência, estoques e disponibilidade efetiva dos recursos. |
| Denominador igual a zero | Apresente “não calculável”; não substitua o resultado por zero. |
| Patrimônio líquido negativo | ROE e relações de endividamento com PL podem perder sentido econômico. |
| Base anterior negativa ou nula | Na análise horizontal, priorize também a variação em reais e explique o contexto. |
| Períodos diferentes | Não compare resultados mensais com anuais sem ajuste explícito. |
| Sazonalidade | Prefira médias mensais quando os saldos variam muito durante o período. |
| Prazos médios | Use o mesmo número de dias e bases compatíveis em todos os cálculos. |
| Variações de fórmula | Informe a convenção adotada, especialmente para liquidez seca, ROA, EBIT e dívida líquida. |
| Resultados isolados | Analise conjuntamente liquidez, endividamento, margens, atividade e fluxos de caixa. |
O acompanhamento conjunto de liquidez, rentabilidade e endividamento integra o diagnóstico financeiro da empresa. Agência Sebrae de Notícias
Fontes e referências
- CFC — Normas Brasileiras de Contabilidade — referência para as demonstrações utilizadas como base dos cálculos.
- Sebrae — Capacidade de pagamento e indicadores de liquidez
- Sebrae — Diagnóstico financeiro
- BNDES — Definições de dívida líquida e EBITDA
Nota metodológica: os indicadores são ferramentas de análise. As fórmulas desta tabela representam convenções didáticas e não uma padronização única obrigatória estabelecida pelo CFC.